Drenagens nas Trilhas

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Um bom sistema de drenagens nas trilhas de moutain bike é fundamental para evitar um grande mal:  Erosão

Muitos mountain bikers acham legais as erosões nas trilhas por serem obstáculos desafiantes. Podem até ser, mas depois de um determinado grau, a erosão na trilha aumenta descontroladamente e fazendo com que o dito obstáculo de desafiante se torne intransponível. Manutenção e construção de trilhas para mountain bike no Brasil ainda é algo muito novo e vale ficarmos ligados e com pensamento crítico sobre este assunto, que interfere na qualidade do nosso esporte e nas relações com o ambiente, proprietários de terra, governo e outros usuários de trilhas.

Queremos que uma trilha de mountain bike legal dure muitos e muitos anos, sendo algo que não afetará negativamente a natureza e nem pessoas que praticam caminhadas ou outros esportes no mesmo local. O Zoom Bike Park se apresenta como exemplo tanto na construção como na manutenção de trilhas, mostrando que é possível criar diversos níveis de desafios aos mountain bikers respeitando o meio ambiente ao seguir orientações internacionais para construção e manutenção, usando a IMBA – International Mountain Bycicling Association como referência.

O problema: Erosão

* Trilha do Mané e das 3 Matas em Campos do Jordão

A erosão é um processo natural de desgaste do solo por meio do vento e da água e que pode ser muito intensificado pela ação humana.  A erosão é o pior inimigo da Trilha. Ela aumenta não só com o uso da trilha por mountain bikes, motos e cavalos,  mas também pela água correndo em velocidade sobre a superfície do solo.

Uma vez que uma erosão ganha grande proporção em uma trilha e esta fica intransponível, os usuários, quer sejam mountian bikers ou outros, começam sem nenhum cuidado, passar ao lado deste trecho, assim eliminando a vegetação e criando um novo traçado em paralelo e assim sucessivamente. Muitas trilhas passam de um “single track” para a largura de uma estrada em poucos anos por conta deste processo. Assim o mountain bike e todos os outros esportes de trilha causam danos difíceis de reverter ao meio ambiente e a qualidade do esporte.

A Solução: Drenagens nas trilhas

Construir uma trilha do zero, sendo em cada metro pensada na questão drenagem, é o mundo ideal para ter trilhas duráveis e ambientalmente corretas. Porém há centenas de trilhas por aí que podem ser melhoradas com ações de manutenção.

No Zoom Bike Park temos atualmente 32 km de trilhas para mountain bike, do tipo single track, sendo que 22 km foram construídos do zero. No Zoom foi levado bastante a sério esta questão ambiental e que traz muita qualidade ao mountain bike. Muitos mountain bikers frequentadores do Zoom Bike Park notam que mesmo em dias com chuva, há poucas poças d’água pelas trilhas. Isto é resultado de um bom sistema de drenagens. Abaixo apresentamos algumas das técnicas que aplicamos  em nossas trilhas,  todas tendo como base as recomendações da IMBA.

 

Evitar as linhas retas em queda – “fall-line trails”

Assim começa o problema que desenvolve rapidamente grandes erosões e que além de impacto ambiental, afeta a experiência no mountain bike. Trilhas desse tipo devem ter o traçado refeito e receber ações de recuperação, com plantio de vegetação entre outras (postaremos em breve sobre).

Evitar leitos de trilha que promovam aceleração, aprisionamento e retenção d’água

Nos três primeiros exemplos de leito de trilha, a água correrá aprisionada e afunilada, o que aumenta sua velocidade causando alto desgaste por esta ação. No quarto exemplo de leito de trilha, totalmente plano, não promove aceleração além da declividade, mas pode causar retenção d’água no leito da trilha e isto após longo período de chuva, causa as poças de lama que com o uso e o tempo sempre aumentam, podendo chegar ao ponto de não dar mais para passar pedalando sua mountain bike.

Leito ideal para a trilha

Este tipo de leito de trilha, associado com outra técnica, a “half rule – regra da metade, que falaremos em outra ocasião, faz com que a água não corra pela trilha e sempre escorra para fora. Além desta leve caída no piso, com recomendação de 5% de inclinação para fora, é importante se ater a manutenção, pois com o passar do tempo, na borda de fora, quando a vegetação gramínea cresce,  retém sedimentos, que formam uma barreira para a água, dificultando o escoamento para fora da trilha. No Zoom Bike Park, a cada 1 ano é feita esta limpeza, sendo uma importante ação de drenagem para promover a alta durabilidade e qualidade de uma trilha.

Grade de inclinação máxima e grade reversa para tornar a trilha durável e divertida

 

Uma trilha durável e que não cause velocidade excessiva da água deve seguir a regra de não ter mais de 10% de inclinação na média de um ponto a outro. Pequenos trechos podem exceder os 10% de inclinação, outros devem ter bem menos para que ao final não seja ultrapassado os 10%.

A grade reversa é feita com os “rolling contours”, ondulações no traçado evitando trechos em reta. Assim quando a água da chuva cai sobre cada topo do traçado, metade escoa para cada lado e assim que se encontram na parte baixa, saem para fora da trilha. Desta maneira a água nunca ganha velocidade sobre a superfície do leito da trilha, evitando processos erosivos.

* Trilha Super Jet – Zoom Bike Park – Campos do Jordão

No Zoom Bike Park esta técnica pode ser bem observada na Trilha Super Jet, na parte de campo da Trilha do Gravatá, na Trilha Pônei Porreta, no Mirante, entre outras. As ondulações podem e devem ser de tamanhos e distâncias variadas, ora bem suaves e ora bem abruptas, o que causa sensações muito legais ao pilotar a mountain bike, tanto para quem esta indo devagar quanto para quem vai rápido, podendo até usar deste perfil de trilha para encontrar diversos saltos.

Drenagem em trechos planos de trilha – “rolling dip”

 

Normalmente em trilhas por seções planas ou com pouca declividade, onde se formam poças d’água que se tornam trechos de lama, é realizado uma pequena valeta para escoar a água para fora, porém a eficácia disto é pequena, pois a sujeira natural, como folhas, galhos e sedimentos fecham esta passagem.

Uma forma bem eficiente de resolver as poças de lama nas trilhas e criando uma depressão grande na área da poça de lama, sendo toda em inclinação aproximada de 10-15% e com a saída totalmente aberta (rolling dip).

No Zoom Bike Park aplicamos esta técnica em alguns pontos da Trilha do Barro Preto, próxima na entrada da Trilha do Tapiti e do Mirante e no final da Trilha do Afonso. Locais que formavam boas poças de lama e mais de 1 ano após estas aplicações, a trilha ficou livre da lama em dias de chuva e pós chuva, mesmo após vários dias molhados. A superfície ficou mais durável e a viabilidade de pedalar em dias molhados é alta.

* Drenagem “rolling dip” em trecho plano próximo a entrada do Tapiti

Neste post apresentamos um resumo das técnicas de drenagem que se aplicadas as trilhas de mountain bike, contribuirão para minimizar impactos ambientais e tornar o mountain bike ainda mais divertido. Detalhes destas técnicas são encontrados no livro IMBA – Trail Solutions e em uma série de artigos em inglês na internet.

  • Fonte de informação: livro IMBA – Trail Solutions
  • Fotografias: Marcio Prado